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mapeando escadas…

25 jul

pegue um papel e um lapis.

escreva na frente e no verso palavras, sem pensar e sem parar, que venham à cabeça a partir
das palavras CORPO e DESEJO.

depois, leia.

circule as palavras que lhe chamarem a atenção.

dessas, escolha uma, ou três.

dessas, investigue no seu corpo onde estão essas palavras, como elas atravessam a si.

investigue sons para o corpo nesse estado.

encontre uma pessoa para fazer o mesmo.

ache no corpo do outro onde ressoa o seu som.

circunscreva em um mapa um certo perímetro de espaço.

ande por esse espaço.

descubra as formas como seus corpos respondem a suas investigações em lugares diversos.

experimente o dialogo sonoro e corporal nesses espaços.

escolha um lugar.

experimente.

 

performance em interface com outras linguagens.

julho de 2011. são joão del rei. proponente: marcelle louzada.

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Comboca

14 jul

 

Comboca se faz passar o tempo
Falatório geral da oralidade
cozinha essa boca mulher
Faz o tempo ser raiz de sua alma
deixar se ser temperamento
Cozinha Raiz
Cozinha a mim
Que eu te faço alimento
Comboca.

Raizza

 

Comboca: ação que será realizada no Festival Cumbuca do Circuito Zero Grau em Juiz de Fora. Dia 15 de julho, às 19h, no Diversão & Arte. André Fonseca, Claudia Meirelles, Cynthia Rezende, Lilian Gil, Luciana Maia, Raizza e Renata Rodrigues.

1º ato

11 jul

 

 

 

1º ato –  Estudo que parte de uma confluência de sentidos (sentidos-caminhos e sentidos-sensações),

de sentimentos e criações surgidos ao longo do último ano, dos estudos dos caminhos de Alice,

da sua vontade de ser grande, de seu medo de crescer demais, dos meus encontros por esses trajetos, das minhas vontades, de traçar rotas imaginárias, ou de traçar rotas seguras,

de me perder, de ficar atada diante dessas vontades, ou das minhas frustrações, das faltas que me fizeram falta,

do medo do desencontro, do medo do solilóquio, de falar sozinha, de me calar ou de não poder falar,

dos aprisionamentos, da impossibilidade de traçar outros rumos, de cair em armadilhas, de não criar armadilhas, da impossibilidade de estar pequena demais quando queria ser enorme e de estar crescendo descontroladamente,

quando precisava passar pelo buraco da fechadura, da vontade do ensaio, da ojeriza ao espetáculo, do amor ao espetáculo e do medo do ensaio, a vontade de ser maior, ou menor,

que me leva a outros, muito grandes e muito pequenos, percorrendo o labirinto de maravilhas,

palavras e movimentos, percorrendo o labirinto das angústias e dos sentimentos, através, como Alice, de encontros e desencontros, dos acasos e desacasos.

No meio do caminho havia uma ideia…

 

 

cultivos

22 jun

Gosto muito de ler o blog do tom zé. Esse cara é bacana demais. Pois é, essa semana uma das coisas que disse foi sobre suas violetas:

“Em casa há uma janela favorecida por uma luminosidade que põe estas violetas em flor. Violeta não gosta de sol direto, precisa ser filtrado por vidro. São criadas com vó, como se diz na Bahia sobre as pessoas mimadas. Os cuidados com elas, porque domésticos, não ficam por minha conta, mas olhá-las, sim. Neste sol de inverno elas estão se abrindo como de gente que acorda.”

Fiquei pensando nas gentes que é como violeta, tem que haver cuidado se não murcha. Tem outras gentes que é mais capim, está onde está – dá até pra pisar! – que lá está firme e forte.

De qualquer forma, neste inverno, um sol que vem direto acho que cai bem.
Mas acho que só vou conseguir acordar mesmo de verdade no verão. Fico igual macunaíma, numa preguiça só… Nisso, a continuidade das trocas vão se adiando. Enquanto isso, olho pras coisas que estou colecionando. Estou pensando em desistir do álbum. Estou mais na vontade de ter eles vivos aqui comigo. Coisa de apego, aliada a uma vontade de sair das ideias megalomaníacas… As vezes o album pode também sair, mas aos pouquinhos, devagar como eu no inverno, e daí ele vai ser tombado só lá pra frentão. Minha primeira meta é achar um lugar ou talvez uma função pra um pedaço de balão vermelho; bastante simpático inclusive. Se colar, continuo. Alguma ideia?

Pensei que dá pra pregar na parede e guardar os trocados que vão surgindo. Ou também pensei que dá pra só pregar na parede. Mas como disse uma vez David Lynch: “it’s only ideas…”.

OBS: Esse post do joão sobre a marcha da liberdade, entre outras coisas, acabou me atiçando pra caçar mais coisas sobre a(r)tivismo e intervenções… Encontrei esse livro que parece ser massa e me chamou atenção: “Insurgências poéticas – Arte ativista e ação coletiva”, de
André Mesquita. Interessou.
Achei esse resuminho no site do coletivo poro de bh:

“Bibliografia indispensável para quem pesquisa Arte&Política, intervenções urbanas e  coletivos artísticos, este livro busca tornar visíveis os modos de recomposição política dos movimentos sociais e seus pontos de contato com um conjunto recente de ações artísticas surgidas em países como Estados Unidos, França, Espanha, Canadá, Argentina e Brasil, especialmente entre os anos de 1990 e 2000.”

Alguém conhece?

uma pergunta

14 jun

 

Essa semana um amigo fez a pergunta:

O lixo é um patrimônio?

Conversas entre altos de passagem e Manoel de Barros

26 maio

 

Ando estudando sobre patrimônio e memória. Ando trocando objetos na rua. Aí Aline – amiga querida que me encanta e me inquieta – me emprestou um livro: “Livro sobre nada”. E não é que Manoel já sabia de tudo tudo tudo sobre meus experimentos? Ele, fabricandobrinquedoscompalavras, fala com pedra, fala com nada, fala com árvore.

Abandono restos de mim no chão e recolho objetos que se apegam no abandono. Sem função, são nobres que empobreceram. Patrimônios sem pai – memórias sem mãe.

Eu perco tudo. Defeito de quem tem a Bagunça como amiga – ela também encanta e inquieta. Mas Manoel me ensinou que perder o nada é que empobrece. E é por isso que fiz coleção de Nadas em álbuns de família. Monumentos das pobres coisas do chão mijadas de orvalho.

Esse Manoel que deixo aqui é pra Claudinha:

O andarilho

Eu já disse quem sou Ele. 
Meu desnome é Andaleço.
Andando devagar eu atraso o final do dia.
Caminho por beiras de rios conchosos.
Para as crianças da estrada eu sou o Homem do Saco.
Carrego latas furadas, pregos, papéis usados.
(Ouço harpejos de mim nas latas tortas.)
Não tenho pretensões de conquistar a inglória perfeita.
Os loucos me interpretam.
A minha direção é a pessoa do vento.
Meus rumos não têm termômetro.
De tarde arborizo pássaros.
De noite os sapos me pulam.
Não tenho carne de água.
Eu pertenço de andar atoamente.
Não tive estudamento de tomos.
Só conheço as ciências que analfabetam.
Todas as coisas têm ser?
Sou um sujeito remoto.
Aromas jacintos me infinitam.
E estes ermos me somam.

                                                                                                         

Altos de passagem

24 maio

 Altos de passagem: experimento que trabalha com trocas residuais, através da construção de intercâmbios em lugares de passagem. Transitando entre a reflexão sobre a possibilidade de alargar uma ideia de patrimônio e esgarçar o conceito de memória, construídos pelas próprias pessoas que atravessam uma praça ao abandonar seus pertences em pontos aleatórios, neste experimento, resíduos são trocados com pertences da artista, tramando uma teia de relações e matérias que poderiam ser entendidas de forma ampla como patrimônios pessoais, coletivos e culturais do espaço urbano, entrelaçando universos íntimos e públicos daqueles que atravessam as fisicalidades de uma praça, por exemplo. Os objetos abrem a possibilidade para a construção de álbuns de família – livros de coleção, bens que guardam simbolicamente a memória e o patrimônio de um grupo de pessoas. A memória é necessariamente uma tentativa de resgate? Poderia o patrimônio se transformar em resíduos a flutuarem entre as trocas sensoriais e corporais de uma cidade? Através dessas questões, seria possível costurar um álbum de coleções corpóreas, materiais e sensoriais, de experiências que transitam entre passagens, que permitem o levantamento de interseções, brechas e tramas transitórias…

Posto em breve novas trocas… Outras a acontecer no Cumbuca.

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