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Assanhado – (Jacob do Bandolim) Taruíra|Pararaio Filmes

29 mar

“Assanhado” é um dos maiores sucessos do grande Jacob do Bandolim. A música, clássica das rodas de choro, já foi interpretado por grandes nomes como Yamandú Costa e agora, finalmente, a versão em vídeo que faz fazer parte do DVD “Gravado nas nuvens”.

Essa e mais outras você confere no lançamento do DVD, dia 31 de março, a partir das 22h, no Muzik.

Não se esqueçam do lenço!

28 mar

Dia 31 de Março, no CAFÉ MUZIK – 22h

Lançamento DVD “Gravado nas nuvens” + Taruíra + Quinteto São do Mato + Jam Session

Não se esqueçam do lenço!

Ano passado, fui convidado pelo Felipe Hutter para integrar a produção do DVD “Gravado nas nuvens” de um grupo de choro contemporâneo de Petrópolis, o Taruíra (http://taruira.com.br). Em janeiro, fomos à cidade serrana, onde a Pararaio (http://pararaiofilmes.com.br) produziu com muito êxito e coragem, um projeto de parceria e esperança na produção alternativa e independente de conteúdo de qualidade. E isso, a custos baixíssimos – cada um acabou bancando a ideia de forma imaterial e material também! Na equipe, além do Rômulo, Dani, Jorge e Luiz da Pararaio, daqui de Juiz de Fora, participaram das gravações Mauro Pianta, Scaldini, Felipe, eu e a Paula Rivello, fotógrafa da Tribuna. Utilizamos câmeras fotográficas para a captação das imagens e o resultado foi bastante interessante, já que estes equipamentos permitem uma flexibildade maior em termos de lentes, distâncias focais e movimentos. O vídeo promo no YouTube – http://www.youtube.com/watch?v=ee-rp-EhU94

O still desse dia pode ser visto através do Facebook e Flickr e estão nesse álbum (Paula Rivello) e nesse, da Mariana Rocha, fotógrafa de Petrópolis.

Paula Rivello - Petrópolis 08/01/2011

Muito mais do que um evento institucional, o lançamento do DVD “Gravado nas nuvens”, primeiro do Taruíra, é uma tentativa de descobrir, descortinar um universo de produção cultural em Juiz de Fora que existe, mas que não tem uma organização clara e sofre com a pouca valorização de público e financiadores. E olha que a Funalfa está colaborando e muito com a explosão cultural nestes últimos meses por aqui.

Além disso, a parceria entre Juiz de Fora e Petrópolis é bastante estratégica. Quando fui conhecer o Taruíra, fomos a uma casa tradicional chamada Dangelos, de 1914, cheia de vitrais em espelho etc e talz. Para minha surpresa, o patrocinador daquilo tudo era o Café Toko – concluí que a marca exibida no espelho, única, teria bancado uma parcela da reforma ou mesmo, o espelho. Falei com o pessoal do grupo e a maioria conhecia o café, mas nenhum imaginava que era daqui de Juiz de Fora. Percebi com a conversa que muitas necessidades de trabalho e de criação de cultura eram parecidas. Sofremos uma influência muito grande do Rio e nosso imaginário sempre está fora de nossas cidades. Há produção artística, porém desarticulada; a participação do estado é intermitente e, às vezes, desproporcional, pesando para um lado apenas… essas e outras foram as conclusões a que chegamos. E mais, entre as capitais Rio e BH, Juiz de Fora com meio milhão e Petrópolis com 350 mil, são as maiores cidades, mas que não se conhecem e talvez possam passar a se complementar, em função de haver características próprias, um pouco distantes, porém com necessidades muito próximas e gente animada e talentosa.

Por fim, fazer a comunicação dessas ideias e desses produtos culturais, cada vez mais é facilitada pelas novas tecnologias e a internet. A produção de conteúdo é rápida e a sua distribuição, mais ainda. Como estamos na era da contribuição e colaboração, para tentar sair do bojo monopolizado nada melhor do que formar projetos com pessoas que querem crescer e que acreditam que é possível fazê-lo através de ideias e por vias alternativas como as cidades médias e, principalmente, pela rede, onde, aparentemente, somos todos horizontais, independente de nosso ponto no mapa ou posição social.

Ficaria muito feliz se pudessem comparecer ao evento ou, ao menos, divulgá-lo para pessoas que possam gostar de boa música. Na noite teremos ainda o Quinteto São do Mato – com músicas trabalhadas em cima de temas turcos, ciganos, latinos e brasileiros (baixe as músicas do primeiro CD do Quinteto pelo link a seguir: http://quintetosaodomato.com/musicas/), além de uma Jam Session com os grupos e outros músicos convidados.

Desde já, agradeço por tudo e espero você no Muzik, nesta quinta, a partir das 22h – tenho certeza que seu espírito sairá de lá satisfeito e alimentado. Só não se esqueça do lenço!

Abaixo seguem dois flyers virtuais do lançamento. Caso curta o evento, pode passar para seus contatos nas redes, seria ótimo! Leve também seus familiares e amigos não-virtuais!!!

Muito Obrigado, um forte abraço,

João Paulo de Oliveira

 

A nova cultura e o Taruíra

15 jan

Taruíra é como chamam a lagartixa no Espírito Santo

O Brasil parece viver uma onda positiva em vários aspectos. Não apenas a economia e as condições sociais estão em ascensão, mas a produção cultural e artística também pegou o tubo e parece crescer a cada momento. Nos últimos anos assistimos a uma nova cultura emergindo, uma sopa alternativa que tem a música, grande dom nacional, como a cola inteligente que oferece contato entre pessoas com grandes talentos adormecidos e muitos sonhos ora entorpecidos pelo brilho ofuscante da possibilidade de fama, ora meio covardes, meio autorais fugindo do óbvio, porém prosseguindo caminhando. Este momento pode ser uma ilusão, uma forma de adocicar a platéia, mas o melhor é aproveitar o momento para unir duas questões muito importantes: a necessidade de se produzir, criar, fazer acontecer narrativas e outros trabalhos e a mesma necessidade de uma soma considerável desse repertório ser recompensado em créditos, seja de imagem, mas também financeiramente, não só em oportunidades de parcerias.

Grupos de teatro, música, dança, projetos de cinema, arte contemporânea, exposições, circuitos, publicação de livros, websites e demais produtos culturais estão sendo apoiados por uma sociedade emergente que não quer só comida. Ao mesmo tempo, muitos brasileiros despertaram sua vida para, justamente, produzir cultura e arte. A cada ano emergem músicos, bailarinos,  poetas que almejam que seus trabalhos garantam uma vida social estável, sem a necessidade obrigatória de se verem empregados em tarefas enfadonhas e que lhes tire o tempo das artes e das atividades do espírito, como por exemplo, dormir, pensar ou cantar.

Equipe de gravação no Nas Nuvens - Foto: Paula Ravello

Semana passada tive a oportunidade de fazer parte da equipe que produziu um DVD  para o grupo de choro contemporâneo de Petrópolis, TARUÍRA. A direção geral do projeto ficou a cargo de Felipe Hutter, em parceria com a produtora de vídeo juiz-forana PARARAIO FILMES. Saímos na sexta, 07 de janeiro, de Kombi rumo à Petrópolis. Rômulo Veiga, diretor de cena das gravações, guiou o touro branco com placa do interior de São Paulo. A Kombi 96 aguentou firme a BR e claro, os morrões de Petrópolis, mesmo abarrotada de equipamentos. É interessante perceber como a sociedade atual permite que jovens com mais ou menos cinco anos de experiência de mercado, trabalhando em produtoras, TVs ou agências conseguem se organizar e obter um material bom o suficiente para realizar ótimos trabalhos, melhores do que os de seus ex-patrões. A experiência vivida na era das novas tecnologias e o espírito criativo desbancam o tempo. A maturidade vem para outras coisas, não necessariamente em relação ao talento estético e de narrativa de imagens.

Carlos Watkins - Taruíra

Na sexta à noite, fomos a casa do Carlinho (Carlos Watkins) onde o Taruíra ensaia todas as terças. A ideia era reconhecer a energia do grupo reunido e apresentar a equipe da Pararaio. Estávamos eu, Rômulo, Luis Felipe e o Felipe  Hutter, um dos idealizadores do projeto e a ponte entre Juiz de Fora e Petrópolis. Foram feitas algumas imagens para o making of (minha responsabilidade) e para outros conteúdos extras do DVD. O grupo apresentou cinco músicas, entretanto, uma delas não faria parte do trabalho. A primeira impressão foi muito interessante, apesar da minha voltagem estar virada para música instrumental ultimamente, o que já garantiria pontos bônus ao Taruíra – que conheço desde maio, junho do ano passado. Fiquei emocionadíssimo com a versão do Bolero de Ravel, uma obra universal que no assovio do Taruíra se mistura com o velho e bom baião brasileiro.

Após o ensaio fomos para um bar quase centenário chamado Dangelos. Pelos escritos funcionava desde 1914. O que chamou minha atenção foi a logo e o oferecimento do Café Toko, uma empresa daqui de Juiz de Fora. Cidades médias se encontrando, não!? E debatemos assuntos que versam com a política e os hábitos locais. Descobri que a juventude e os artistas de Petrópolis sofrem com um controle acirrado da sociedade local. Muitos eventos culturais são interrompidos em função de um código de posturas que conserva a não produção de cultura local. Inclusive, na conversa com Breno Morais, fiquei sabendo da luta dos artistas e produtores culturais pela criação de espaços e eventos bacanas na cidade. Estavam organizando uma manifestação com música na segunda, dia 10, pelo Corredor Cultural, a ideia de um dia inteiro de cultura e arte na cidade serrana.

Mauro Pianta (dir. de fotografia) e Luis Felipe (operador)

O sábado mal começou e lá estávamos nós no Nas Nuvens, bar da serra que não abre mais diariamente como pizzaria e só funciona para eventos particulares. Em cima dele existe uma rampa de asa delta. Já havíamos visitado o lugar no dia anterior, mas pela manhã foi possível enxergar a beleza da natureza exuberante de nosso país. De um lado a serra do mar e suas montanhas cobertas por um verde maravilhoso, além de picos que desenham formas orgânicas no céu; do outro, a baía de Guanabara e o Cristo, uma visão de 180º de felicidade – que estará, com certeza, na finalização do material.

Zé Roberto Leão - Taruíra

Perto do meio-dia chegou o resto da equipe: Mauro Pianta – diretor de fotografia; Jorge Luis e Daniel Dias – sócios Pararaio; Felipe Scaldini – operador de steady e Paula Rivello – still. Foi interessante observar que todos nós nos formamos na FACOM/UFJF. Cada um em seu tempo, o Pianta nos anos 80, mas a maioria nesta primeira década do terceiro milênio. Com poucos anos de estrada, estavámos nós ali reunidos para algo interessante e com total empolgação em fazer algo além do correto, do “bonitinho”, queríamos arriscar, errar um pouquinho, mas sabendo que acertaríamos em cheio com nossa audácia – a Pararaio estava utilizando além de uma câmera HVX, duas outras que são originais para fotografia (Cannon 5D e 7D) e que recentemente foram descobertas pelo mundo do audiovisual em função de gravarem em full HD e apresentarem um jogo de lente que deixa qualquer material parecendo Hollywood – óbvio que é preciso técnica, talento e vontade, a máquina por si não resolve o problema. Além dessa turma de JF, a produção ficou por conta de Fábia Rossignoli, que garantiu a paz e a tranquilidade no set e as fotos ficaram a cargo da também petropolitana, Mariana Rocha.

Breno Morais - Taruíra

O Taruíra é um belo arranjo musical que se encontrou pelo choro, arte brasileira com identificação nata com o Rio de Janeiro e que recupera seu lugar com maestria no coração de nossa geração. O grupo tem oito anos de estrada e é composto por Breno Morais (flauta transversa, sax tenor), Carlos Watkins (piano e saxofone), Guto Menezes (cavaquinho), Zé Roberto Leão (violão), Leandro Mattos (Pandeiro) e Yuri Garrido (bateria e percussão). Sua música versa com o choro, a sonoridade da América Latina, mas sem excluir a valsa e outros ritmos universais que se encontram de forma especial em suas harmonias. Em breve o DVD estará pronto, porém antes mesmo do produto final, irei fazer questão de colocar no blog do Coletivo Epinefrina os primeiros resultados dessa parceria profunda e que poderá se revelar duradoura e afortunada. Esperamos em breve uma roda de choro em nossa Juiz de Fora que há anos lamenta em um pranto seco e triste, mas agora deseja recuperar o tempo perdido chorando de felicidade.

Segue um extrato do Taruíria em uma gravação colhida no YouTube:

João Paulo de Oliveira
Jornalista e Artisvista Coletivo Epinefrina

 

 

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