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Workshop: Arte na Beira – Práticas Experimentais de Desvio

18 jul
Partimos do desejo de pensar a arte na fronteira com a produção de subjetividade. No “risco” da zona fronteiriça, há uma pergunta: como penetrar o “campo” da arte aproximando-se de um campo experimental de si mesmo? Na tentativa de margear essa questão, propõe-se um processo experimental em cinco encontros. O trabalho, permeando pelo universo corpóreo-visual, pretende lançar os participantes em propostas vivenciais através de exercícios experimentais fronteiriços entre criação poética e reinvenção de si mesmo.
com Bruno Gomes e Raíssa Ralola
de 26 a 30 de julho
terça à sexta de 19h30 às 22h
sábado 18h30 às 21h30 

local: RAMPA – Rua Sá Ferreira 202, Copacabana tel:21.3796.7307 http://www.rampa.art.br
investimento: R$ 200,00
outras informações: raissaralola@yahoo.com.br ou brugomes7@yahoo.com.br

 

 

 

experimento pele

1 jul

“Instaurar Mundos

 

A voz-corpo do poeta, encarnada pela garganta, emite uma instrução aos leitores:

Para ser lido alto. Para ser lido

bem alta voz pera ser lido para

dentro. Para ser incêndio

LUZ FOGO CALOR

Que se acenda através de todos os órgãos

ALASTRAR

Ou não quer????

Ou não quer????

Ou não quer????

PARA SER LIDO ALTO. AFÃ

(Waly Salomão, Gigolô de Bibelôs p. 140)

 

O tom é forte e nítido, cristalinidade da vogal a que amplifica e alteia o tom, numa espécie de alta-fidelidade que inunda os ouvidos de um apelo quase mântrico, e alastra o fogo, via audição, corpo adentro. O incêndio de que se fala é aquele cuja queimadura branda impõe trocar de pele. Ou não quer, repete reiteradamente o refrão.

É a poesia abrindo alas à estranhesa. A instrução do poeta funciona como um rito que prepara o ouvido a ser capaz de perder-se de si, desnortear-se, consumir-se lentamente.”

(Rosane Preciosa, Rumores Discretos da Subjetividade  p. 47.)

 

 

Trata-se de um experimento de troca de pele.

a performance é parte da programação do Festival Internacional de Performances: 1º Arte ao Vivo – Rio ao Vivo

acontece no sábado, dia 2 de julho às 19h na Rampa, Rua Sá Ferreira 202, Copacabana.

 

Exposição Contrabando

6 jun

Pensando na responsabilidade da concepção geral deste evento, busquei alinhar minha curadoria à trajetória aérea que é típica das aves de rapina. E num vôo astuto – porém, manhoso – ensaiaremos dar alguns rasantes sobre as verdades acuadas da institucionalidade da Arte. Tática predatória em nome do nosso instinto de sobrevivência, ou mesmo por mera diversão. Mas isso não importa tanto: o fato é que tudo aquilo que ganha um centro, passa a exercer fascínio de presa. E nós estamos famintos…

É partindo deste impulso que surge o enunciado CONTRABANDO, que decerto almeja corporeificar o trânsito daquilo que escapa da zona de conforto de um circuito oficial. Talvez esta seja a possibilidade semântica mais literal, já que tal exposição se realiza num “espaço-tempo do nosso cotidiano”, à margem do aparato museológico. No entanto, penso que nossa ação contrabandista vá além desse entendimento. Deseja inspirar, também, afetos que vão a contrapelo dos hábitos já domesticados pela síndrome legalista que nossa cultura vive na contemporaneidade.

O que nos cabe aqui, portanto, é promover uma dinâmica alternativa que não se restrinja ao serviço da moral e dos “bons costumes”. E para tal, não há ambiente mais propício do que a penumbra de um prédio que se esconde há tempos embaixo dos panos. Sorrateiramente. À meia-luz os contornos se rompem e tudo é confundido. Daí sim, talvez possa haver algum ludismo, algum prazer ao largo da vigília repressora. É com muito gosto que te recebemos nesse descaminho.

AVANTI contra o bando, meus amigos!

 

PEDRO MOREIRA LIMA

 


[Programação de Performances]

 

 

 

Sexta-feira (10/06)
20:00 ZEN-NUDISMO, de Aimberê César
21:00 PEDAGOGIA DA BOMBA, de Gilberto Piquiri
Sábado (11/06)
15:00 DICKLESS, de Nora Stephens
17:30 EXPERIMENTO PELE, de Luisa Tavares e Raíssa Ralola
20:00 NIMIS, de Kunja Bihari
Domingo (12/06)
15:00 DOS DIAS ATUAIS, de Treze Numa Noite
17:30 OS PUTOS TAMBÉM AMAM, de Gilberto Piquiri
 


 

 

 

 

para desvirtuar-me da temática “eu” – 1º projeto

6 jun

Desde pouco mais que recentemente tenho irrigado pequenos, quase médios projetos. Passa dia, fica dia e o cotidiano vai se articulando como um pequeno-médio projeto de criação. Um tal fluxo dos passos, solitários, dentro de minha pequena casa é quase um intervalo minucioso de labirintos cerebrais a (re)configurar-se a cada nova e invisível pegada no chão. Percebo que o fio que percorre o labirinto aos poucos vai tornando-se mais extenso e a cada novo entendimento de composição reelabora-se angariando mais um nó.

Muitas horas sozinha, significa: ter de me haver muito comigo mesma. Correndo do espelho percebo que é preciso criar coisas para desvirtuar-me da temática “eu”. Meu pequeno-médio projeto de criação tem articulado algo em torno de corpo-casa-grafia. Agora, quando não me entendo comigo, vou me entender com ele. É quase uma bobeira de arrancar poesia dos roda pés, transformando minha própria casa em um grande “plano de composição”, apenas deixando que ela seja percorrida por uma descarga elétrica (re)inventora de processos.

Fernando Pessoa ou seu desconhecido Bernardo Soares, tem sido um bons amigos. uma amizade que tem a ver com uma tal rotina na Rua do Douradore…  “E , se o escritório da rua do Douradores, representa para mim a vida, esse meu Segundo andar, onde moro, na mesma rua dos Douradores, representa pra mim a Arte. Sim, a Arte que mora na mesma rua que a Vida, porém num lugar diferente, a Arte que alivia da vida sem aliviar de viver, que é tão monótona como a mesma vida, mas só em lugar diferente.” (Livro do Desassossego Fernando Pessoa – heterônimo:Bernardo Soares, pág. 44)

 

1º projeto:

Há pouco mais de três mesmes me mudei para uma casa na qual os azulejos do banheiro, são pintados com uma tinta bem vagabunda e imprópria para azulejos. De tanto molhar, todo esse azulejo-tinta-parede, temos cultivado mofo. Resolvi começar a raspar partes do “todo banheiro”. Uma brincadeira divertida, quase uma restauração de algo “nada precioso”em busca do azulejo nu. Em meio a essa descoberta arqueológica em meu sítio de novidades, raspo a tinta e escrevo grafias rasuradas nas paredes-azulejos. É como uma rasura pura na pele-casa, esternalização da “carne-concreto”. Estou imensamente interessada em peles ainda que não saiba bem o que isso quer dizer.

 

Algumas Instruções

3 jun

No fim da rua do Catete você segue pela rua da Glória, vira à primeira à esquerda e sobe a rua Santo Amaro. Do ponto de virada do corpo, são exatos 55 passos, abrindo medianamente as pernas pra uma pessoa de 1m70cm (diferentes alturas podem ser calculadas por P.A. – projeção aritimética).

Repare bem que não houve mudança de calçada e agora você se encontra de frente a um prédio de 9 andares.

Bata o interfone e vá até o hall de entrada. Daí você pode dizer ao Ademar, Rodrigo, Gilberto, Edivaldo ou Antônio (não sei qual porteiro vai estar no dia) que deseja subir ao quarto andar. Saindo do elevador vire para a direita e eu já te espero na porta.

Entrando em casa, você já cai na curta e estreita Abbey Road (é aquela, dos estúdios Abbey Road, onde os Beatlles tem uma famosa foto atravessando a rua – tenho uma reprodução dessa rua aqui em casa). Você vai ser orientado e eu vou te pedir para se virar para a esquerda e entra na primeira porta à direita. Dai você já se encontra oficialmente no “Ateliê Oficial”.

O único pedido é que tire o sapato, de resto pode ficar à vontade.

 

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