Arquivo | claudia meireles RSS feed for this section

Encontros

28 maio

Hoje pela manhã me pego a andar pela cidade, aberta aos encontros. E não é que chegou.  Encontrei-me com uma senhora simpática, bastante chorosa, olhos azuiz entristecidos.  Aproximei devagar, nos olhamos e já nos abraçamos. Um desabafo de vida: Dona Idalina, estava abalada com o descaso de um enterro de uma amiga que ela cuidava a 18 anos. Não houve ninguém ao enterro. Ela chorava, questionando a validade da vida, dos encontros, dos tempos perdidos desesperados da cidade, que não para. Mais “some”, nas relações, nos afectos. Era um desabafo com vontade de uma volta dessa amiga, e talvez com essa amiga, esse tempo era fértil. Nos depedimos, ela me agradece, e  eu me sinto mais viva, encorajada pelos meus desejos. Porque para mim a vida  vale a pena  pelos encontros. Reflexiva a respeito disso, caminho em paz. Optei  a ter tempo.

Anúncios

Calo(s)

26 maio

 

Os pés são suporte para a vida, para o movimento, é um corpo. Fotografar os Andarilhos é como falar da vida na cidade, é falar de uma poesia estancada no sangue, de feridas abertas. Gritam de grandeza, em beleza. Beleza que requer estesia, não param. Ardem em instâncias de luta e vontade de vida.

As fotos são também para potencializar um pouco mais seja para mim, ou para quem quiser, a vida. Vida de poesia, de luta e movimento. Posso ampliar esse gesto, em desejos: Não Calo (s), gritamos. Os desejos são de novas entregas com esses pés, outra qualidade nas relações que não as já costumeiramente assumidas, novos olhares, novas aproximações com essa gente. Ao fotografar, tento materializar essa poesia, levo- a comigo, e compartilho vida pulsante.

Esse ensaio fotográfico aconteceu pelas ruas de Juiz de Fora, e na APARES (Associação dos Catadores de Papéis e Resíduos Sólidos de Juiz de Fora) onde mais tarde as fotos foram expostas no JF em Foco, Festival de Fotografia de Juiz de Fora/2009. Fotografei diversos pés pousados para a câmera. Registrei o visível e possível parte do invisível. O cheiro desses pés foi também um registro, um outro sentido, que me afetou e me permeou por todos os dias em que fotografei.

Em outro momento achei interessante compartilhar essas sensações e talvez materializá-las. No espaço Diversão e Arte aconteceu um desdobramento das propostas das fotografias. Em um ambiente acolhedor, mesinha coberta com toalhas de renda ao chão, luz ambiente, almofadas, e muita poesia, aconteceu uma instalação. Em cima da mesinha aquelas mesmas fotos só que agora cobertas com suculentos pedaços de queijos: Comíamo-s com os pés, com os cheiros e as sensações. Que a vida fique !Projeto de Fotos e Instalação

Atos Urbanos

25 maio

  “Atos urbanos é um projeto de  Intervação Urbana, aprovado pela Lei Murilo Mendes/ 2010, que tem por objetivo poetizar alguns espaços da cidade, e então re-significar o espaço público no cotidiano, impregnado pelo excesso de informação da vida moderna e pela indiferença generalizada de isolamento individual. Visando novas formas de  encontros no espaço público. Com o desejo de potencializar outras formas de convívio, uma outra qualidade nas relações. Distanciados, os transeuntes se esvaem das relações do ir e vir poético, dos entre olhares que se cruzam, anestesiados da magia do instante. Tentamos então compreender o outro, costurar os desejos e vontades desse “outro” cidade/individuo com os nossos. Tendo sempre o encontro, a escuta, como potência para gerir uma outra qualidade nas relações”

Construção: Claudia Meireles; Gabriela Machado; Rita Vianna

  “Intervir é estar entre? Poetizar é exercitar a presença? Intervenção urbana pode ser perceber o que está entre os passos automáticos nas ruas de uma cidade; pode ser dilatar um corpo estranho a um espaço público em movimento; pode ser caminhar na contra-mão do texto escrito por correrias; pode ser olhar para além dos prédios e árvores, encontrando janelas e portas para a imaginação…
Estamos neste processo: descobrir em nós a poesia que ainda pode morar nas ruas de nossa cidade, que não nascerá nunca se não nos movermos: atos urbanos!” Gabriela Machado

” Vamos colher impressões da poesia que mora no Parque, na Rua Halfeld e entorno. Através de um estado alterado de percepção do fluxo natural do espaço/rua, vamos escrever nossa poesia, nosso movimento.” Rita Vianna

%d blogueiros gostam disto: