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Corredor Polonês

2 jun

1º experimento

“vão gritar chega daqui a pouco pra você, você não vai se livrar, não vai conseguir… (sorrindo)
você acha?
acho.
mas isso é porque vocês são muito fortes, né?
brigado. sempre me dizem isso.”
o que será que as pessoas esperam quando está pra começar? menina franzina entre 4 homens que se apresentam como fortes. a força que a mulher precisa pra se sentir segura, protegida, cuidada, amada, admirada, a fragilidade que o homem precisa pra demandar de seu poder e habilidade, alguém a quem manter, como bom projenitor. o cavalheiro e a donzela. mas….
no Corredor Cultural de Juiz de Fora o clima era de festa, de alegria, de abundância. várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e a ânsia das pessoas que em nossa cidade não têm o hábito da grande quantidade de ofertas em tempo reduzido. quase meio noite, depois de várias cervejas, com os ânimos a caminho da subida, é anunciado nosso começo, e lá vão 4 cavalheiros a caminho da donzela. está tudo posto, em cima da mesa. já se sabe o que é esperado de cada um e não deveria haver surpresas. epa…! esquecemos de olhar embaixo da mesa…
a cada vez que vamos a público com a proposta desaprendo mais sobre todo esse complexo contexto das relações que envolvem homens e mulheres. quantas e quantas artimanhas são possíveis para a manutenção da lógica comum, até que ponto cada um é capaz de chegar pra garantir o seu lugar? vejo como é a outra extremidade dessa mesma linha, ela mesma, a da força e da fragilidade, do poder e da impotência, do caçador e da caça, da gana e do medo, da brutalidade e da sedução, as armas de início guardadas vão aparecendo e sendo tiradas uma a uma, ai que agonia, coitada, deixa ela sair, tá achando graça? não cede, ela é atriz!, ela vai quebrar, nossa, achei tão sexy, isso não mexe com você?, que isso, ela não sua, aqui dentro você só faz o que a gente permitir, e lá fora?? e lá fora??! há muito mais coisas entre o céu e a terra…
uma mulher, 4 homens, e um público sedento no entorno, com discurso de não aguento ou de quero mais, estão todos ali, cumprindo seus papéis, provocando, cedendo à provocação, alimentando com audiência, transitando entre outros afins.
tenho lido Nietzsche, sempre acabo tendo com ele. “Ver-sofrer faz bem, fazer-sofrer mais bem ainda”. “Sem crueldade não há festa: é o que ensina a mais antiga e mais longa história do homem – e no castigo também há de muito festivo!” será que até castigo participa dessa festa? se sim, a quem será que cada um que está ali está castigando?
me coloco no lugar objetal que todos nós colocamos e somos tantas vezes colocados e várias vezes me vejo fora da roda assistindo e me impressionando com a cena, com o quanto de gozo o horror (ou a referência a ele) pode fazer brotar.
e acho que tudo fica tão vivo por vivermos tantas vezes com maior ou menor intensidade cada um daqueles gestos, daquelas reações, daqueles prazeres. reviver reafirma, independente de como isso vá reverberar (na busca continuidade ou mudança).
nesse ponto me vejo entre muitas tensões, de ideais utópicos a possibilidades concretas, desejos, possibilidades e impossibilidades (se é que estas existem) e precisamente aí, talvez a contra-gosto, não vejo como seguir sem voltar a Nietzsche “…essencialmente, isto é, em suas funções básicas, a vida atua ofendendo, violentando, explorando, destruindo, não podendo sequer ser concebida sem esse caráter.”
difícil negar.

http://asuaviolenciaaminhaviolencia.blogspot.com/

Projeto A Sua Violência, A Minha Violência

Leticia Nabuco e Diego Zanotti

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Projeto A Minha Violência, A Sua Violência – a câmera também exige um pulso firme…

23 maio

 

Nesta décima apresentação do A Sua Violência, A Minha Violência (terceira com minha participação em trabalho com o 2° e 3° experimento) penso no princípio da fotografia como denúncia e registro daquela violência em ação da performance. Diria ainda mais, diria que a minha sensação é de que a câmera é aquele “olho que tudo vê”, a presença de uma ferramenta que serve para tal: para incluir ou excluir vistas. É assim na violência nossa de cada dia, excluir ou incluir a imagem que te fere.

Este final de semana será mais um passo na experiência violenta de criar imagens. Materiais que se somarão à mostra fotográfica do Blog.
A câmera também exige um pulso firme…

Para saber mais sobre este Projeto em parceria com a Letícia, acessem o blog, já está no ar!
http://asuaviolenciaaminhaviolencia.blogspot.com/

O Projeto estará no CORREDOR CULTURAL – Funalfa/Prefeitura de Juiz de Fora, com o 1º, 2º e 3º experimentos.

Dia 28/05
sábado, a partir das 23:30 horas.

quem violenta quem? A Sua Violência, A Minha Violência no CUMBUCA

23 maio

 

Vamos fazer o Violência no Corredor.

O projeto estreou aqui em setembro do ano passado,  e desde então já foi a público diversas vezes, a maioria no Rio. Essa será a décima apresentação.

Desde setembro venho aguçando cada vez mais meu olhar pro tema e me impressiona perceber como ele permeia as situações e nossas atitudes. Será isso do humano, de nossa cultura, de nosso tempo, será isso do meio em que eu vivo, será isso uma tendência do meu olhar atual? Independente de onde venha a resposta, me vejo violentada diariamente, e procuro perceber em que contribuo para esse ciclo, se o faço inconscientemente, se o faço por escolha.

Porque a violência também é uma escolha possível.

Busco a experiência de vivê-la sem moralismos ou preconceitos, com um olhar mais amplo de onde ela se encontra e do porquê a escolhemos aqui e ali.

No momento, sem maiores pretensões a não ser a observação.

No Cumbuca, pelo Corredor Cultural, vamos fazer os 3 experimentos. Me vejo agora, como a cada vez que vamos para o corpo a corpo, na contagem regressiva, tentando não adiantar o que pode vir e me manter aberta pro que possa aparecer. Já em exercício.

Aproveito pra divulgar o blog que eu e Diego fizemos, com fotos, vídeos, e mais detalhes do que tem rolado nesse processo.

http://asuaviolenciaaminhaviolencia.blogspot.com

 

 

a sua violência, a minha violência

1 maio

no próximo sábado, dia 07/05

estaremos com

1° e 2° experimentos do PROJETO A SUA VIOLÊNCIA, A MINHA VIOLÊNCIA

no SESC Nova Iguaçu

integrando a programação de abertura

da 8ª edição do Zona Oculta – entre o público e  o privado

horário: 16h às 18h

endereço: rua dom adriano hipólito, 10, moquetá, nova iguaçu

1° experimento: performance de Leticia Nabuco que trata de questões de gênero, de manipulação e estratégias, de jogos de poder.

2° experimento: série de gravações em vídeo de entrevistas com transeuntes acerca de suas visões dos universos feminino e masculino. Realizadas por Leticia Nabuco e Diego Zanotti.

o projeto investiga a violência em suas mais múltiplas faces: do forte, do fraco, de grupos, física, psicológica, pessoal, das relações.

foi iniciado por mim em 2010 e a partir do início desse ano passou a contar também com Diego Zanotti, se enriquecendo e passando a ser uma articulação entre os Núcleos de  Artes Cênicas e Artes Visuais. com a entrada do olhar da fotografia outras problematizações foram feitas, criando possibilidades outras de criação.

as pesquisas vão se dando a partir de experimentos, fórmulas simples inventadas continuamente, aparelhos geradores de crítica e questionamento.

em março participamos no Projeto Cor de Rosa Choque, no Rio de Janeiro. confira aqui o que rolou…

aguardem novos experimentos e o lançamento do blog do projeto!

performance A SUA VIOLÊNCIA, A MINHA VIOLÊNCIA no Rio dia 26/03 sábado

21 mar

A SUA VIOLÊNCIA, A MINHA VIOLÊNCIA

A violência, em suas múltiplas faces:

do forte, do fraco, de grupos, física, psicológica, pessoal, das relações.

As escolhas que a nutrem ou dissolvem.

1º experimento

Performance de Leticia Nabuco que trata de questões de gênero, de manipulação e estratégias, de jogos de poder. O público é solicitado a ajudar a performer e desse encontro surgem imagens e situações de controle, subjugação, cooperação, alianças, disputas, coerção.

2º experimento

Gravações em vídeo de entrevistas com transeuntes acerca de suas visões dos universos feminino e masculino.

.dia 26/03  sábado às 20h

.gratuito

.CEDIM – conselho estadual dos direitos da mulher / espaço cultural  heloneida studart

.rua camerino, 51 centro – rio de janeiro

.contato 32 91049833

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O Projeto Cor de Rosa Choque é uma iniciativa do Zona Oculta , grupo que desde 2004 coloca as mulheres e sua produção artística contemporânea em foco, buscando com isso uma atitude política que contribua para a transformação do jogo patriarcal também no mundo das artes.

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